Tudo que desperta a emoção, seja positiva ou negativamente, tem grande chance de ser compartilhado através de informações, notícias e histórias. E a internet tem papel essencial nesse hábito, tão natural do ser humano, potencializando nossa capacidade de espalhar impressões devido à necessidade de saciar os sentimentos que cada circunstância desperta.

Quanto mais nos envolvemos ou somos afetados por determinada situação ou ideia, maior é a possibilidade de espalharmos conteúdos em rede. Para entender esse fenômeno, Jonah Berger, professor da Universidade da Pensilvânia, desenvolveu um estudo baseado em notícias compartilhadas a partir do jornal The New York Times. Segundo suas observações, conteúdos de apelo emotivo têm mais chance de serem compartilhados do que aqueles factuais ou “neutros”.

Em suas primeiras observações, tendo como referência a lista de notícias mais enviadas por e-mail no jornal, Berger percebeu que não só aquelas com mensagens positivas eram compartilhadas, mas também conteúdos que evocavam sentimentos de raiva e ansiedade, que são mais propensos a serem compartilhados nas redes sociais.

O motivo, segundo o estudo, é que a excitação ativa o nosso sistema nervoso. Assim, compartilhamos uma notícia ruim por termos a impressão de que estamos nos desfazendo dela e, consequentemente, nos libertando deste estado negativo.

Analisando as reações

Para validar a teoria de que a excitação promove o compartilhamento, Berger realizou dois experimentos. No primeiro, 93 participantes assistiram a vídeos que os deixaram ansiosos ou compenetrados, tristes ou contentes. Em seguida, eles foram expostos a reportagens consideradas neutras. Quando o acadêmico perguntou o que os voluntários gostariam de mostrar a amigos e familiares, os conteúdos de alta excitação apareceram em primeiro lugar.

O segundo experimento teve a participação de 40 voluntários. Berger propôs que metade permanecesse sentada e que a outra metade corresse por um minuto, elevando a excitação por meio da atividade. Na sequência, pediu para que todos os voluntários lessem artigos emocionalmente neutros e os enviassem a amigos e familiares. Esse teste mostrou que os estudantes agitados eram mais propensos a compartilhar o conteúdo do que os participantes sedentários, já que o exercício físico provoca a mesma sensação de uma forte emoção.

Implicações no dia a dia

Vivemos todos os dias essa relação entre emoções e compartilhamento, mesmo que seja tão natural que nem percebamos. Pense na publicidade – as propagandas criam diferentes sensações no intuito de que passemos o conceito da marca adiante, não é mesmo?

Vale pensar sobre o que motiva os usuários de internet a clicaar nos botões “Compartilhar” ou “Enviar”.