Com a percepção da relevância e impacto da publicidade, houve a criação e crescimento de técnicas para divulgar e promover as marcas. Porém, à medida que essa prática se tornou mais recorrente e mais insistente, os usuários foram criando formas de evitar e driblar as publicidades indesejadas. Entre esses recursos, merecem atenção os AdBlocks e o impacto na publicidade.

AdBlocks são programas que bloqueiam as propagandas e anúncios da internet e podem ser usados desde desktops até celulares. O uso desses programas cresceu lentamente até 2013, porém hoje têm sido visto números que revelam outra tendência.

DADOS DO INSTITUTO VERIFICADOR DE COMUNICAÇÃO (IVC)

A percepção de uso dos bloqueadores de anúncios foi comprovada em um levantamento do Instituto Verificador de Comunicação feito por meio de uma ferramenta em parceria com a Alliance for Audited Media (AAM). O estudo trouxe as últimas informações do banco de dados do IVC e o perfil do uso da ferramenta entre os internautas brasileiros.

Os dados apontam que os brasileiros que usam adblocks nos sites analisados pelo instituto o fazem via mobile em 30% dos casos, enquanto no desktop esse percentual é de 68%. Apesar de hoje a origem dessas ferramentas ser maior no desktop, o estudo revelou que a tendência é que ela cresça rapidamente no mobile visto o crescimento de uso de smartphone.

Quanto ao uso dos adblocks em navegadores, o Chrome tem 74% de tráfego de computadores da internet e possui índice de adblock de 17,5%.  O Firefox, que gera 19% do tráfego, tem 21,6% de uso de bloqueadores. O Internet Explorer, que corresponde a um tráfego de 4%, tem 8,7% do uso de adblock.

Grande parte dos usuários tem usado essas ferramentas por considerar as propagandas cada vez mais intrusivas e irritantes, ocupando grande parte do navegador e repetindo exageradamente os anúncios referentes a pesquisas feitas.

No entanto, o aumento no uso de ferramentas como AdBlocks provocou também discussões em torno da questão da liberdade versus necessidade. Se de um lado está o leitor que quer conteúdo gratuito sem ser importunado por anúncios, do outro lado estão as empresas, editoras e agências que geram esse conteúdo e lutam para que esse trabalho seja valorizado e viabilizado por anunciantes sem ter que adotar medidas extremas, como o acesso pago.

NOVOS DESAFIOS

O crescimento do uso de ferramentas de bloqueio de anúncios leva o mercado a refletir e analisar a entrega de conteúdo e revela que será necessário maior esforço por parte de editores e anunciantes. A nova realidade reforça que a publicidade pode e deve ser mais inteligente para encontrar uma forma de driblar os adblocks.

Dessa forma, a indústria de anúncios será obrigada a produzir propagandas mais simples, menos invasivas e mais transparentes sobre a forma como lidam com os dados a fim de permanecerem entre as publicações que interessam aos consumidores.

A fórmula não é fácil, mas a maneira como as pessoas têm lidado com a internet e a publicidade exige práticas inovadoras e capazes de solucionar os problemas apontados. Será que sua marca está preparada pra esse novo caminho?